Neverland m.clara1@hotmail.com não também não

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Poesia da Semana #09

Dedicatória
 
 

Apareceis de novo, oh, sombras vaporosas,
Que meus olhos enchestes, outrora, radiosas?
Conseguirei por fim reter-vos junto a mim?
Meu coração se inclina às seduções assim?
Que atração exerceis! Conseguis, de uma em uma,
Manter-me envolto em sonho, mergulhado em bruma,
Renova-se o meu ser miraculosamente,
Bafejado do sopro que exalais ardente.
 
Convosco vêm lembranças velhas e distantes,
Sombras da adolescência, alegres, deslumbrantes,
Como lendas antigas que o tempo não apagasse.
Reacende em mim o amor, a amizade renasce,
Logo desperta a dor, repete-se a dolência
Do curso complicado e duro da existência.
Renascem os bens de outrora, as horas juvenis,
E felizes, que o tempo preservar não quis.
 
Os meus cantos de agora, estes não são amados
Por quanto os ouviam, outrora, deslumbrados;
Dissiparam-se os sons tão bons e tão amigos.
Já se perdem bem longe os seus ecos antigos.
Meus cânticos de hoje os quer a multidão,
Seu aplauso e clamor se ferem o coração.
Os que meus velhos cantos tanto admiraram
Perdidos pelo mundo enfim se dispersam.
 
Assalta-me a saudade em tudo o que passado,
Daquele mundo suave e espiritual, amado;
Paira ainda no ar, harmonioso, um canto,
Qual som de harpa eólia, as cordas vão vibrando,
Domina-se a emoção e não contenha o pranto
Meu rude coração logo se abranda, enquanto
A realidade atual se torna mais distante,
E o passado renasce, ardente, impressionante.
 
 
 
 
OBS: Tal dedicatória encontra-se na obra Fausto de Goethe

domingo, 26 de julho de 2015

A Parte Favorita da Cidade


 globe | Tumblr

  Ele carregava a moça por toda a cidade. Ele já havia visto tudo aquilo diversas vezes. Ela nunca havia visto. Mas ambos estavam igualmente empolgados. Depois de meses de longa excursão, levou-a para o primeiro lugar que foram juntos, onde se sentaram na grama.
  - E então, qual o seu lugar favorito?
  - Não sei... – ela ficou pensativa enquanto arrancava o mato do chão. Quando percebeu o que estava fazendo, parou imediatamente e se conteve em brincar com um fiapo que já tinha arrancado.
  - Não é possível que depois de todo esse tour por essa cidade linda você não consiga me dizer o que gostou mais. – sorriu.
  - Acho que vai ter que me levar em todos os lugares de novo. – ela deu de ombros brincalhona.
  De fato, ela não conseguia dizer seu local preferido ainda que tenha gostado mais de alguns do que de outros. Mais do que nunca ela finalmente compreendera que não é o lugar, são as pessoas. É a pessoa. Era ele. Mas ela achava que tudo isso era tolice demais para se pôr em palavras, então preferiu apenas  deitar em seu colo e falar sobre nada durante todo o dia.
  Já ele, preferiu levá-la para conhecer a cidade de novo.

A Parte Favorita da Cidade


 globe | Tumblr

  Ele carregava a moça por toda a cidade. Ele já havia visto tudo aquilo diversas vezes. Ela nunca havia visto. Mas ambos estavam igualmente empolgados. Depois de meses de longa excursão, levou-a para o primeiro lugar que foram juntos, onde se sentaram na grama.
  - E então, qual o seu lugar favorito?
  - Não sei... – ela ficou pensativa enquanto arrancava o mato do chão. Quando percebeu o que estava fazendo, parou imediatamente e se conteve em brincar com um fiapo que já tinha arrancado.
  - Não é possível que depois de todo esse tour por essa cidade linda você não consiga me dizer o que gostou mais. – sorriu.
  - Acho que vai ter que me levar em todos os lugares de novo. – ela deu de ombros brincalhona.
  De fato, ela não conseguia dizer seu local preferido ainda que tenha gostado mais de alguns do que de outros. Mais do que nunca ela finalmente compreendera que não é o lugar, são as pessoas. É a pessoa. Era ele. Mas ela achava que tudo isso era tolice demais para se pôr em palavras, então preferiu apenas  deitar em seu colo e falar sobre nada durante todo o dia.
  Já ele, preferiu levá-la para conhecer a cidade de novo.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Fausto e Werther



  Não disse nem que era uma resenha porque não tenho cacife nenhum para resenhar Goethe.
  Criei interesse no autor por diversos meios. Seja por ouvir falar muito, por professores influentes terem recomendado, ou mesmo por meus personagens favoritos já o terem citado em algum momento. Então, quando vi esse livro na biblioteca não pensei duas vezes em pegá-lo emprestado.
  Li essa edição linda de capa dura, páginas amareladas, marcador de fitinha e fotografias na introdução eu contribuíram para criar o clima perfeito de leitura. Aliás, sempre que acho algum livro dessa coleção da Abril na biblioteca corro logo para ele, porque além da qualidade do objeto-livro, o conteúdo-livro também tende a ser espetacular.
  Criei um carinho tão grande por esse livro que sofri até para devolver, e sempre que passo na prateleira onde ele está, folheio ele para matar as saudades.



Fausto



  Finalmente, começando a falar sobre o conteúdo em si, posso introduzir minhas impressões sobre ele com uma pergunta: Que livro é este, Senhor?!
  Acredito que nesta época, Goethe estava muito inspirado pela filosofia de seu amigo Schiller, porque o que você encontra ali é precioso. É uma leitura riquíssima  pronta para adaptação teatral e, ainda, toda escrita em formato poesia. Impossível não imaginar como uma ópera.
  Resumindo a história: Fausto é um homem que desenvolveu absurdamente sua faculdade racional e sabe todas as ciências que poderia saber a seu tempo, mas que mesmo assim se sente infeliz. Decide então fazer um pacto com o demônio Mefistófeles, que o "ajuda" a encontrar a felicidade no que há de material da vida. Conhece e se encanta então por Margarida, uma moça tão pura que nem mesmo Mefistófeles tem poder sobre ela. Com sua ingenuidade, a menina acaba por se apaixonar por Fausto e uma série de infortúnios começa a acontecer em sua vida.
  Os personagens são perfeitamente construídos. Fausto não entende nada de sua faculdade emocional e é completamente manipulado por Mefistófeles. Já este último é tão descarado que eu não sabia se ria com ele ou se o odiava. E Margarida é a forma viva em pessoa, a própria representação da beleza. É uma criatura tão perfeita que tudo o que o leitor consegue é amá-la e admirá-la, é simplesmente a melhor personagem do livro. Ver a vida dela e seu equilíbrio caindo aos pedaços é devastador demais, de fazer chorar (principalmente no capítulo da catedral e da prisão).
  Percebe-se então o quanto o livro é envolvente. É uma obra tão maravilhosa que nem parece ter sido escrita por mãos humanas. Tornou-se, sem sombra de dúvidas, um de meus livros favoritos.



  Alguns trechos:
 
- Fausto:
 
"E chego ao fim ignorante em tudo!
Coração a ferver! Para que tanto estudo!"
 
"E tu, oh, lua cheia, que pelo céu vagueias,
Pela última vez o meu sofrer franqueias!
Quantas vezes me vês aqui, à meia-noite,
Em vigília a sentir do sofrimento o açoite!
Debruçado a estudar dos livros a escritura,
És minha companheira em horas de amargura."
 
"Quem me dera voar para as altas montanhas
Como a luz que tu expeles pura das entranhas,
Dos paramos sentir  tantas novas virtudes,
Liberto da ciência, essa pesada cruz,
Nos teus vastos domínios me banhar de luz!"
 
"Ah! Como é difícil às asas de nossa alma
Aliarem-se as asas da matéria!"
 
"Assim! O sentimento é tudo para mim
O nome é apenas som, esvai-se em seus vapores."
 
 
- Margarida:
 
"De que serve a beleza e tanta juventude,
É tudo muito lindo e tem a sua virtude,
Mas passa e não desperta ao menos atenção!"
 
"Oh Deus! mas que homem estranho!
Tudo sabe e tudo alcança!
Em sua presença me acanho
E sempre respondo 'sim',
Sou pobre e ingênua criança
Não sei o que vê em mim."
 
 
 
 

Werther

  Também conhecido como "Os Sofrimentos do Jovem Werther", esse livro é tão diferente do anterior que me parecia até de outro autor. Aliás, por ser escrito em formato de cartas, pareceu-me até que o autor era o próprio Werther de tão profundas que eram suas reflexões. É dito até mesmo que foi gerada uma onda de suicídios depois do lançamento deste livro, pois que muitos se identificaram com tais pensamentos.
  É interessante observar o quanto o personagem sai de um viajante feliz para um sofredor apaixonado. Mesmo sendo avisado, o jovem se apaixona por Carlota, moça que já estava de casamento marcado. Ela é uma criatura adorável, mas o apego do leitor a ela nem se compara com o de Margarida, talvez porque a história é contada em primeira pessoa e o aprofundamento na personagem não é tão intenso.
  Logo abaixo, na mesma organização de sempre, é possível analisar algumas reflexões do personagem a partir de trechos retirados do livro. 
 
 
- "Que é o homem, para ousar lamentar-se a respeito de si mesmo?"
 
- "Os homens sofreriam menos se não se aplicassem tanto a invocar os males idos e vividos, em vez de esforçar-se por tornar suportável um presente medíocre."
 
- "Sou tão feliz, meu amigo, e de tal modo mergulhado no tranquilo sentimento da minha própria existência, que esqueci a minha arte. Neste momento, ser-me-ia impossível desenhar a coisa mais simples, e, no entanto, nunca fui tão grande pintor."
 
- "Como a espécie humana é uniforme! A maioria sofre quase todo o seu tempo, apenas para poder viver, e os poucos lazeres que lhe restam são de tal modo cheios de preocupações, que ela procura todos os meios de aliviá-las."
 
- "Sinto-me muito bem nesse meio, contanto que não me lembre de um mundo de aspirações adormecidas no mais íntimo do meu ser, entorpecendo-se pela inação, e que eu preciso ocultar com todo o cuidado."
 
- "Afora essas pessoas, acho-me envolvido por algumas criaturas caricatas, nas quais tudo me é insuportável, principalmente suas demonstrações de amizade."
 
- "A vida humana não passa de um sonho. Mais de uma pessoa já pensou isso. Pois essa impressão também me acompanha por toda parte."
 
- "Sinto-me contente, feliz; serei, portanto, um mau narrador."
 
- "Não há nada no mundo que me interesse tanto como as crianças. Quando as observo, noto nesses pequenos seres o germe de todas as virtudes, de todas as faculdades que um dia lhe serão tão necessárias: na sua teimosia entrevejo a futura constância e firmeza de caráter; nas suas garotices o bom humor que lhes fará vencer facilmente os perigos deste mundo. E tudo isso de modo tão puro, tão incontaminado!"
 
-  "Por que é que os homens não podem falar de uma coisa sem logo declarar: 'Isto é insensato, aquilo é razoável, aqueloutro é bom, isso aí é mau'? De que servem todas essas palavras?"
 
- "Eu já sabia tudo quanto sei agora: que não posso alimentar qualquer pretensão a respeito dela, e não tinha nenhuma... pelo menos até o ponto em que é possível não desejar nada em presença de tantas seduções. E, no entanto, o imbecil que eu me tornei arregala os olhos porque o outro chegou para arrebatar a sua bem-amada!"
 
- "Estive a pinto de estourar porque não há argumento que tanto me faça perder a cabeça como um insignificante lugar-comum que me citam no momento em que falo com toda a alma."
 
- "Minhas faculdades perderam o equilíbrio, dando lugar a um misto de indolência o equilíbrio, dando lugar a um misto de indolência e agitação. Não posso ficar desocupado e, no entanto, nada  posso fazer. Não tenho mais imaginação, nem sentimento da natureza, e os livros só me inspiram tédio. Tudo nos falta quando estamos em falta conosco mesmo!"
 
- "Não há tesouro compassível à paz de espírito e a estar a gente satisfeito consigo próprio."
 
- "Ah! o que eu sei; todos podem saber; meu coração, porém, só eu, mais ninguém pode possuí-lo."
 
- "Tenho medo de mim mesmo! Meu amor por ela não é o mais fraternal, o mais santo, o mais puro dos amores? Sentiu minha alma um desejo culpável?"

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Resenha de Os Bruzundangas

 
 
   Minha resenha pode ser baseada em uma frase: Gostaria de tê-lo lido em outra época.
   O livro é genial, cheio de indiretas, com narrador cômico e histórias tão absurdas que só acontecem no Brasil, digo, na Bruzundanga. As críticas à política, economia e mesmo questões teatrais me fizeram lembrar de antigas críticas pessoais minhas e gerar ainda outras. Possui muito contexto histórico e é uma leitura inteligente. Só digo que gostaria de ter lido em outra época porque tive que ler muito rápido devido ao prazo estabelecido pelo colégio etc. Daqui há alguns anos, quem sabe, uma nova leitura seria uma oportunidade ótima.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Resenha de O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote da Mancha





Essa imagem não me pertence. :)

  Li o volume um de O Engenhoso Fidalgo D. Quixote da Mancha, e sem conseguir aguardar nem duas horas, peguei o segundo volume para ler. D. Quixote ficou pirado de tanto ler suas histórias e ainda leva Sancho Pança com ele. E como se não bastasse, no meio do livro nos leva junto. É incrivelmente cômico a forma como ele enxerga o mundo e como reage às mais inusitadas situações (muitas vezes provocadas... por ele mesmo). E assim como nós nos deixamos levar pelas "verdades" de Quixote, os demais personagens do livro também se deixam e começam a contar mentiras para agradá-lo.
   Não é um livro muito simples de ler, já que é necessário bastante atenção para compreender os joguetes de palavras e ler as notas. Mas os momentos cômicos são impagáveis e simplesmente fluem muito bem.
  Essa edição linda da Clássicos abril tem as páginas amareladas muito confortáveis de ler e uma capa em tecido maravilhosa. Uma pena que pertença à biblioteca da escola e não a mim.
  Enfim... Na minha opinião, o primeiro volume é melhor que o segundo, porque este último conta muitas histórias - que são até bem interessantes, mas que quase parecem esquecer de D. Quixote. Apesar disso, fiquei impressionada com a profundidade que Cervantes dá a todos os personagens, mesmo aqueles que aparecem em cerca de dois ou três capítulos.
  É uma leitura riquíssima, que vale muito a pena e que tem todos os motivos para se rum clássico universal.
 
  
 
DOM QUIXOTE

 

  Embora eu tenha adorado as partes cômicas, inseri apenas uma delas (fala icônica de Sancho) porque se eu colocasse-as aqui, ficariam sem nexo a partir do momento em que estão inseridas em determinado contexto. Apesar disso, seguem alguns de meus trechos favoritos dos dois volumes:

- Em suma, ele engolfou-se tanto em sua leitura que lendo passava as noites em claro, e os dias em turvo.

- Encheu-se-lhe a fantasia de tudo aquilo que lia nos livros, tanto de encantamentos como de pelejas, batalhas, duelos, ferimentos, galanteios, amores, de tal modo na imaginação que era verdade toda aquela máquina daquelas sonhadas invenções que lia, que para ele não havia outra história mais certa no mundo.



- Bem poderia vossa mercê mandar queimá-los, como aos outros, porque não faltaria muito para que, tendo-se curado meu senhor tio da doença cavalheiresca, lendo estes, lhe viesse o desejo de tornar-se pastor e andar pelos bosques e prados cantando e tangendo, e, o que seria pior, tornar-se poetas, o que, pelo que dizem é doença incurável e contagiosa.

- Melhor fala de Dom Quixote: "As donzelas e a honestidade andavam, como tenho dito, por todas as partes, sozinhas e solitárias, sem temor de que a alheia luxúria e lascivo intento as infamassem, e sua perdição nascia de seu gosto e vontade própria! E agora, nestes nossos detestáveis séculos, não está segura nenhuma."

- Observem com cuidado o nível extraordinário de Marcela:

  * Eu sei, com a natural razão que Deus me deu, que tudo o que é formoso é amável; mas não consigo compreender que, em razão de ser amado, esteja obrigado o que é amado por formoso a amar a quem o ama.

  * A honra e as virtudes são adornos da alma, sem as quais o corpo, ainda que o seja, não há de parecer formoso.

  * E, assim como a víbora não merece ser inculpada da peçonha que tem, posto que com ela mata, por ter-lhe dado a natureza, tampouco eu mereço ser censurada por ser formosa.

  * Eu nasci livre, e para poder viver livre escolhi a solidão doa campos; as árvores destas montanhas são a minha companhia, as claras águas destes riachos os meus espelhos; às árvores e às águas comunico meus pensamentos e formosura.

  * Os que enamorei pela vista desenganei com as palavras.

  * Aquele que me chama de fera e basilisco deixe-me como a coisa prejudicial e má; e aquele que me chama ingrata não me sirva; aquele que e chama mal-agradecida me desconheça; aquele que me chama cruel não me siga; porque esta fera, este basilisco, esta ingrata, esta cruel e esta mal agradecida não os buscará, servirá, conhecerá nem seguirá de maneira alguma.

  * O céu até agora não quis que eu ame por destino, e vão é o pensar que tenho de amar por escolha.


gustave douret - Pesquisa Google
- Todas essas tempestades que nos  sucedem são sinais de que logo há de viver a bonança e hão de sair-nos bem as coisas, porque não é possível que o mal nem o bem sejam duradouros, e daí se segue que, havendo durado muito o mal, o bem já está perto.

- Fala mais icônica do Sacho: "Eu cá não o digo nem penso. Eles lá que saibam as linhas com que se cosem, pouco se me dá: se forem amancebados ou não, a Deus terão prestado contas. Eu sigo o meu caminho, não sei de nada, não sou amigo de me meter na vida alheia, pois quem mexe em vespeiro, picado sairá. Tanto mais que nu nasci, nu estou: não perco nem ganho. Mas se o eram que me importa a mim? E nem tudo o que reluz é ouro. Mas quem pode pôr trovas ao vento? Tanto mais que até de Deus murmuraram."

- E ainda assim tão de quando em quando, que ouso jurar com verdade de que, nos doze anos que há que a amo mais que à luz destes olhos que a terra há de comer, não a vi mais que quatro vezes, e pode ser até que nestas quatro vezes ela não tenha visto nenhum olhar meu.

- Todas essas coisas resolvia em minha fantasia, e consolava-me sem ter consolo, fingindo umas remotas e pálidas esperanças, para aliviar a vida que já aborreço.

- Não vale para ti este dito, porque o amor como ouvi dizer, às vezes voa e outras anda: com este corre e com aquele vai devagar; a uns entibia e a outros abrasa;  a uns fere e a outros mata; num ponto começa a carreira de seus desejos e nesse mesmo ponto a termina e conclui; de manhã costuma fazer o cerco de uma fortaleza e de noite a tem rendida, porque não há força que o resista.

- Nunca na vida lhe disse palavra e, ainda assim, amo-o de maneira que não poderei viver sem ele.

- Talvez com não vê-lo e com a grã distância do caminho que temos por percorrer que diminuísse o padecimento que agora tenho; embora eu possa dizer que este remédio que imagino me há de aproveitar bem pouco.

- Os montes criam letrados e as cabanas de pastores encerram filósofos.

- Este a maldiz e a chama caprichosa, volúvel e desonesta, aquele a condena por fácil e ligeira; tal a absolve e perdoa, e tal a julga e condena; um celebra por sua formosura, outro abomina sua índole, e, enfim, todos a infamam e todos a adoram, e de todos chega a tanto a loucura; que há quem se lamente e sinta a raivosa doença dos ciúmes; que ela nunca deu a ninguém, porque, como já tenho dito, antes se soube de seu pecado que de seu desejo.

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