Neverland m.clara1@hotmail.com não também não

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Conclusão #MLI2016 e #MLdeFerias

Imagem de coffee, travel, and map

  Por incrível que pareça, essas maratonas foram bem distantes do flop! Consegui uns 85% do que eu pretendia ler! Essa conclusão vai ser bem simplificada, mais pra deixar registrado mesmo. :)

Concluídos

-Quincas Borba
- Sinhá-Moça
- O Menino do Pijama Listrado
- Homens Sem Mulheres
- As Duas Torres


Pela Metade

- O Retorno do Rei
- Persépolis

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

15 de dezembro de 2015.



 
 Tiro os sapatos e coloco-os perto da porta. Jogo-me no sofá velho de frente para a janela. Ao me desmontar, sinto-me uma marionete posta de lado. Temporariamente largada, mas os fios continuavam ali, afinal. Alguns tem televisão. Eu tenho a janela. A vista não é bonita. É horrendo ter uma vida mais ou menos numa cidade cinza. Desejei poder ver uma árvore morta que seja. Ainda que estivesse morta, era um resquício de vida em algum ponto da linha do tempo. Nem isso eu tinha.
  Eu sentia um cansaço físico e emocional tão grande que poderia esculpir a mágoa objetificada. Não deveria ser, tampouco, algo belo. Talvez por isso eu tivesse a capacidade de fazê-lo.
  Olho para o celular. Não resta quase nada de mim, eu poderia acabar com meu orgulho também. Disco o número.
  - Oi. - ele atende.
  - Oi. Onde você está? - pergunto com a voz fraca.
  - Em um lugar onde eu não queria estar. Você não está aqui. - sua resposta poderia resumir todos os meus últimos dias.
  - Por que você não vem me encontrar? - tive um raio de esperança.
  - Estou fazendo algo pela gente...
  - Estaria fazendo algo pela gente se estivéssemos juntos.
  - Você tem que confiar em mim. - Hugo suspirou.
  - É só que... Estou tão cansada de requentar esse relacionamento. - esperei que ele reagisse, mas minha expectativa foi vã. Resolvo mudar de assunto. - Você está bem?
  - Estou. - não perguntou se eu estava bem. Talvez soubesse: fundo do poço.
  - Então...
  - Me responde uma coisa, Ana. - interrompeu-me.
  - Claro. - meus olhos estão arregalados, encaram as figuras mal coladas na parede, como se esperassem que Hugo as atravessasse a qualquer momento.
  - Você é minha?
  Era como se eu tivesse perdido a noção de tempo e espaço. Eu não podia me ajudar, apenas ele podia. A resposta era uma das poucas coisas claras em minha vida.
  - Sou sua.
 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

13 de dezembro de 2015.



 
  Dez horas e trinta e quatro minutos de um domingo. Viro-me na cama, despertando. De certa forma, eu me sentia mais leve. Levanto-me e tomo uma ducha. A água gelada lava meus cabelos e as gotas acarinham meu corpo, fazendo-me arrepiar.
  O dia parecia ter mais cor que o normal e, de certa forma, eu sentia que as coisas estavam mais organizadas em minha cabeça. Ainda assim, tenho a impressão de que devo organizar-me ainda mais, para que eu não me desorientasse novamente tão cedo.
  Mais uma vez, pego o caderno e a caneta. Posiciono também meu velho notebook em cima da mesa. Jogo na pesquisa algo como "inspiração para escrever" e acabo indo parar em um sote de layout estranho chamado "Season of Love" que disponibilizava uma série de perguntas que supostamente despertariam minha vontade de escrever. Perguntas sobre o significado do meu nome, dissertações sobre minha família e minha condição financeira. Talvez fossem boas técnicas para alguém, não para mim. Pressionar-me a pensar e escrever sobre esses temas me incomodava mais do que ajudava.
  Desço a página rapidamente, com os olhos procurando um item que realmente me trouxesse interesse. Chego ao último: O que você quer saber? Era uma pergunta muito vaga. As possibilidades eram imensas. Tiro a tampa da caneta e abro o caderno aleatoriamente. Havia certa fúria em meus gestos, como se eu eu tivesse medo de deixar a inspiração ir embora. Era isso.
 
" Eu quero saber quando isso vai acabar. Esse medo de deixar qualquer sentimento ir embora, ainda que a inspiração não possa ser considerada um sentir. Ainda que ele não possa ser considerado um sentimento. De qualquer forma, esses elementos me provocam sensações que anteriormente eu desconhecia. Contraditoriamente, também tenho medo de me aprofundar mais e perceber que simplesmente nunca conseguirei obter o suficiente. Esse medo de variadas faces me aprisiona em um presente estagnado com colorações de passado e perspectivas de futuro vazio. Não há terras prometidas, raios solares. Não há esperança."

terça-feira, 2 de agosto de 2016

12 de dezembro de 2015.

 



  Olho para as folhas em branco daquele bloco de notas. A caneta rodopia em minha mão. Minha mente fervilha, mas não consigo colocar nada no papel. Talvez o conselho de escrever o que se passa em minha cabeça fosse muito bom, mas eu não conseguia nem mesmo retirar a tampa da caneta. Gostaria que ele pudesse ler minha mente. Poderia ser mais fácil.
  Largo o material de escrita na mesa e termino de me arrumar. Mais uma semana passara e ele não aparecia. Tinha coisas para resolver, ia ficar longe por um tempo. No meio da semana, para que a reclamação não fosse a mesma, enviara-me uma mensagem perguntando se estava tudo bem. Nenhum assunto surgiu por parte de nenhum de nós. Nada realmente relevante.
  Eu não saía em uma sexta-feira à noite há meses. Ia apenas por insistência de Eduarda. Mais uma de suas insistências de me tirar do que ela chamava de monomania. Talvez ela estivesse certa.
  Visto o vestido de manga neutro, porém bonita de se usar à noite, e coloco meu único par de saltos. Delineio os olhos e pego minhas coisas para sair. Tranco a porta e desço as escadas do prédio. É uma escadaria feia e eu acredito fielmente que ainda vou cair daqui se não me mudar em breve.
  O táxi que Eduarda tomara, me esperava. Ela está bonita e animada e tenta me contagiar. Infelizmente, não é tão simples assim.
  Chegamos ao lugar. Na parte da frente, era um bar com música ao vivo. Na parte de dentro, bem isolada, um tipo de boate mais particular. Eu preferiria ficar do lado de fora, mas Eduarda queria ir lá dentro dançar, e como eu havia prometido ir com ela, eu a acompanharia.
  Ela já chegara vibrando e me implorando para dançar o que chamava de "melhor música do mundo" com ela. Eu não concordava tanto assim, mas dancei esta e mais uma outra. Depois, deixei-a na pista de dança e andei em volta do local procurando algo que prendesse a minha atenção, o que não aconteceu. Fui para os bancos do bar, onde eu passaria o resto da noite.
  Aos poucos, fui pedindo drinks. Alguns caras me olhavam, mas eu desviava e me preocupava em não voltar a olhá-los. Infelizmente, para um deles, esses desvio de olhar permanente não foi o suficiente. Sentou-se ao meu lado.
  - Posso te pagar um drink? - perguntou esticando o braço para me abraçar os ombros. Afastei-me, impedindo seu gesto apressado.
  - Não.
  - Quer dançar essa música comigo, então? - ele ajeitou seu cabelo e passou as mãos em sua barba.
  - Sinceramente? Tem um monte de menina lá dançando, porque não acompanha uma delas?
  - Parece que você não quer estar aqui. - ele cruza os braços tatuados casualmente. Suas tatuagens me lembras as de Hugo. Desvio o olhar.
  - Talvez eu não queira.
  - Então por que não vamos para outro lugar?
  - Nunca. - não é preciso muito esforço para mostrar meu desinteresse. Ele parecia querer insistir, então simplesmente levanto e vou até o banheiro.
  As coisas parecem meio incertas, fora de foco. Talvez eu tenha tomado drinks demais. Não me sinto mais feliz, no entanto. O usual incômodo no peito volta acompanhado da vontade de chorar. Eu não conseguiria chorar de qualquer forma. Olho-me no espelho e para minha surpresa já havia lágrimas escorrendo em meus olhos. Ao menos para isso aquela noite servira. Finalmente eu havia conseguido chorar. Não na intensidade que guardava, mas ao menos um indício de libertação dessa angústia sem nome.
 Espero até as duas da manhã no banheiro, onde não poderia ser incomodada. Exceto pelo choros e ânsias de vômito de outras garotas. Nada muito permanente, elas sempre voltavam para a festa depois. Quando o horário chegou, saí do estranho casulo e aviso à Eduarda que pretendo ir embora.
  - Aonde você esteve? - seu olhar indica que ela não queria saber aonde mas com quem.
  - Com ninguém interessante.
  Ela tinha um sorriso bobo no rosto enquanto voltávamos, mas era coisa da cabeça dela. Ainda estou meio zonza quando chego em meu prédio. Subo alguns degraus e meu pé vira. Só não caio todo o ramo de escadas, pois me seguro contra a parede.
 Eu sabia que esse dia ia chegar. O susto faz meu emocional se agitar e o choro finalmente vem. Sento-me ali mesmo e coloco tudo para fora.  Eu sabia que a queda e o pranto viriam, só não sabia quando. No final, eles sempre vêm acompanhados um do outro.
 

6 de dezembro de 2015.



 
  Não era fácil trabalhar aos sábados. O movimento podia ser maior do que durante a semana, mas nessa época do ano, a cidade começava a esvaziar. Folheio as páginas de um livro. Não consigo me concentrar, passo as páginas apenas.
  - Vamos almoçar? - Eduarda me convida enquanto termina de fechar o caixa.
  Assinto. Deixo o livro de lado e a ajudo a fechar temporariamente a loja. Normalmente deixaríamos outro par de funcionários ali, que almoçariam quando voltássemos, mas estes também estavam de férias. Pego minha bolsa e andamos até um restaurante barato não muito longe dali. Cumprimentamos amigavelmente a moça da balança que sempre tomava seu café da manhã em nossa loja.O comércio se fortalece, afinal.
  Como sem prestar muita atenção na comida. Quando meus olhos se deparam com Eduarda, ela ajeita os óculos de hastes avermelhadas, estava me observando há um tempo.
  - O que há com você? - questiona.
  - Ah... Difícil explicar. - dou de ombros. Não sou a pessoa mais sorridente e atenta do planeta, ela já está acostumada com isso. Mas ela também consegue captar quando as coisas não estão muito certas e já faz um tempo que elas estão assim. Meu ego reclama. Mesma coisa de sempre. - É como se eu estivesse no meio do mar.
  - Eu estou aqui. - ela sorriu suavemente e colocou sua mão sobre a minha. - É a situação do apartamento e do Hugo?
  - Também. Não gosto do fato dele me ajudar a pagar e não morar lá. - suspiro. - Mas tem outra coisa.
  - O que é?
  - Eu não sei... Parece que estou meio perdida.
  - Melancolia? - ela cruzou as mãos.
  - Acredito que sim... É tudo muito escuro, muito preto e branco. - desvio o olhar. - Não consigo dormir, chorar, sair do lugar.
  O restaurante estava vazio. Só havia nós duas e os funcionários estavam na cozinha. Não era um lugar bem decorado, era simples. Mas havia um esforço de decoração: origamis brancos pendiam do teto nos cantos do local. Perguntei-me há quanto tempo estavam ali, já que não pareciam novos. Não havia notado antes. Eles pendem tristemente. Volto-me para o papel branco que cobria a mesa.
  - Você sabe que pode contar comigo, não sabe? - seu olhar parecia me sustentar.
  Eu não havia escolhido a amizade de Eduarda. Partilhávamos os horários de serviço e passávamos mais tempo juntas do que eu passava com qualquer um. Meus amigos do ensino médio estavam muito ocupados com suas faculdades para me dar atenção. Eduarda virara meu suporte. Algumas pessoas dizem que os amigos são a família que escolhemos, devo discordar. Amigos são a família que encontramos e nos acolhem quando não temos para onde correr.
  Olho para o rosto dela. Sua feição parecia sempre triste, embora quase nunca se sentisse assim. Seus finos cabelos castanhos presos em um pequeno rabo de cavalo simplório. Senti-me confortada só de olhar para ela.
  - Eu nunca fui boa contando...
  - Mas eu sou. Não sou nenhuma matemática, mas fico sempre no caixa e posso me gabar de nunca ter errado um troco. - ela tentava me animar e, mesmo que singelamente, conseguia.
 - Eu vou ficar bem. - esforço-me para dar um sorriso.
  Queria ter a capacidade de simplesmente confiar nas pessoas. Queria imensamente apenas poder contar com elas. Mas como posso contar com alguém se não posso contar comigo mesma?

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